Regresso
Regressei
disputa de ideias
Comemora-se todos os dias no Martim Moniz, é lá que se vê o Portugal mais cosmopolita e interessante, o único viável, tolerante e colorido, comerciante e virado para fora, multilingue e desejoso de falar todo o português.
A civilização, a modernidade estão também nas palavras. Tem razão Sousa Franco na crítica política aos mercadores de sonoridades racistas.
Voltar ao bom espírito Republicano e Laico; à preocupação com a cidadania, com a Liberdade e com a Igualdade. Descomprimir e ver no que se transformaram as realezas modernas, mesmo as mais simpáticas.
Com os Braganças que tivemos; com os séculos XIX e XX como foram, estão à espera de quê?!
Quando?! Percebemos porque é que o 25 de Abril - 74 e 75 - foi o que foi. Apaixonante, imprevisivel, tempo de disputas à esquerda e à direita, tempo da política e das convicções. Lembram-se das eleições de 75, das salas cheias, das sessões de esclarecimento em que havia contraditório em que era preciso esclarecer mesmo. E dos boicotes e das ingenuidades malandras, o desligar do microfone, a tosse súbita, uma espécie de vale tudo português, onde, os mais atentos, se decidiam pela impossibilidade da guerra civil. E as explicações de convencimento doutrinário, os social democratas e os socialistas, os comunistas, inimigos ferozes dos anteriores e os maoístas, espécie de tribo eleita na terra (ai os meus 18 anos)moralizadora e justiceira; e o calor das casas e dos tascos e das pequenas praças nesses dois verões fabulosos. Lembram-se da política? Das convicções?
Muita espuma desde os idos de Março. E eu calado, sem vontade, naquela preguiça de quem se julga cansado ao fim de 118 posts. Decidi continuar, procurando a simplicidade no bom senso do que ainda nos resta de "natureza humana" e a complexidade, as possíveis relações de causalidade para esta loucura em que se vai transformando a mesma "natureza humana" e que nos induz cada vez mais cepticismo. E releio Hume, o mesmo que o Barnabé invoca quanto aos milagres.E mesmo assim resta-nos o Iraque, essa configuração de desastre que vai para além de qualquer racionalidade por mais defensiva que seja a nossa moderação céptica.E para que conste, acho mesmo que há uma América, a que está e se revê no actual poder que nos encaminha desgraçadamente para o terror!